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A cada três dias trabalhados no presídio, um é abatido da pena; presos aprendem a fazer painéis e objetos decorativos, usando pastilhas de cerâmica (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Na entrada da administração da Penitenciária Lemos Brito, um grande painel em mosaico alivia a dureza do lugar. Em outros pontos do Complexo da Mata Escura é possível ver peças semelhantes. A obra de arte é fruto do trabalho dos próprios presos que participam do projeto Libertarte, idealizado pelo artista visual Eliezer Nobre. Na oficina, os internos aprendem a fazer painéis e objetos decorativos, usando como base a técnica do mosaico em pastilhas de cerâmica. “Quero estimular a beleza, a educação. O cárcere é duro. Por que não usar a beleza para contrapor?”, questiona o artista. No projeto, são produzidos quadros, porta-retratos e outros objetos de decoração, além de grandes painéis, com base nos desenhos de Eliezer. O interno mais antigo no projeto é Lázaro Bonate, 67. Participando há dois anos e cinco meses e às vésperas de passar para o regime semiaberto, ele não vê a hora de montar a sua própria oficina. “Quero fazer quadros para vender para as pessoas”, disse. Estreia O trabalhador rural Benício Nascimento, 65, começou na Oficina de Mosaico no dia da visita do CORREIO ao projeto. Devagar e com paciência, ele vai aprendendo a mexer nas ferramentas e colando as pecinhas que irão cobrir a figura de um carro. Condenado a 12 anos e meio de prisão, ele não contou o que fez, só que cometeu uma “loucura” em 1995. Para ele, a passagem pelos programas
O artista visual Eliezer Nobre é o idealizador do projeto Libertarte, que atende detentos na Lemos de Brito e conta com um estande fixo de vendas num shopping da capital (Foto: Marina Silva/CORREIO)
de ressocialização é uma chance de aprender uma nova profissão e de ter melhores perspectivas de futuro. “Tô aprendendo alguma coisa aqui e, quando eu sair, vou melhorar as minhas condições. Isso (a oficina) ajuda o dia a passar mais rápido. Ficar encarcerado e sem atividade é muito ruim”, resume. O projeto, que já teve 15 internos e hoje só seis executam o trabalho, conta com um estande fixo de vendas em um grande shopping da capital. Mas ao longo do tempo, foram acabando as parcerias. “Precisamos de matéria-prima, de uma loja para escoar os produtos, de um site institucional, de mais ferramentas”, explica Eliezer. Diminuição da pena A participação no Libertarte é geralmente destinada a detentos mais velhos, já que as outras atividades, como capinagem e trabalho com esquadrias, exigem grande esforço físico. O trabalho na penitenciária ajuda na diminuição da pena - a cada três dias trabalhados, é abatido um dia. Nem todas as atividades são remuneradas - a Libertarte
Painel feito pelos presos enfeita a entrada da administração da Penitenciária Lemos de Brito
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
não é. Mas a fila para trabalhar é grande. Atualmente, dos 1.500 internos da Lemos Brito, 400 esperam abrir uma vaga para o trabalho, outros 500 estão em atividade, sendo que pouco mais de 300 são remunerados. “Essa remuneração é muito importante para eles. Mesmo estando aqui, eles podem prover a família”, disse o superintendente de ressocialização da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap), Luís Antônio Fonseca. Do total da remuneração (R$ 702,75), 75% ficam com a família do preso e os outros 25% são depositados em uma conta. O valor é liberado após a soltura do detento. Embora não haja estatísticas oficiais sobre a taxa de reincidência criminal dentro da Lemos Brito, Fonseca estima que 95% dos presos que trabalham dentro da cadeia não voltam a delinquir, enquanto que este índice seria de 30% a 35% para os que ficam no regime convencional. Além da oficina de arte, os presos também têm acesso à educação, com aulas de ensino básico e cursos profissionalizantes, mais atividades esportivas e culturais. “Esse homem que passa pela ressocialização se vê de outra forma e passa a ver o mundo de outra forma”, diz o superintendente da Seap. Para ele, essas atividades desenvolvidas durante o cárcere ajudam o preso a resgatar a autoestima e a se sentir integrado novamente à sociedade.Fonte:Correio 24 horas.

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Arte no cárcere: projeto oferece oficina de cerâmica a presos em penitenciária baiana.

A cada três dias trabalhados no presídio, um é abatido da pena; presos aprendem a fazer painéis e objetos decorativos, usando pastilhas de cerâmica (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Na entrada da administração da Penitenciária Lemos Brito, um grande painel em mosaico alivia a dureza do lugar. Em outros pontos do Complexo da Mata Escura é possível ver peças semelhantes. A obra de arte é fruto do trabalho dos próprios presos que participam do projeto Libertarte, idealizado pelo artista visual Eliezer Nobre. Na oficina, os internos aprendem a fazer painéis e objetos decorativos, usando como base a técnica do mosaico em pastilhas de cerâmica. “Quero estimular a beleza, a educação. O cárcere é duro. Por que não usar a beleza para contrapor?”, questiona o artista. No projeto, são produzidos quadros, porta-retratos e outros objetos de decoração, além de grandes painéis, com base nos desenhos de Eliezer. O interno mais antigo no projeto é Lázaro Bonate, 67. Participando há dois anos e cinco meses e às vésperas de passar para o regime semiaberto, ele não vê a hora de montar a sua própria oficina. “Quero fazer quadros para vender para as pessoas”, disse. Estreia O trabalhador rural Benício Nascimento, 65, começou na Oficina de Mosaico no dia da visita do CORREIO ao projeto. Devagar e com paciência, ele vai aprendendo a mexer nas ferramentas e colando as pecinhas que irão cobrir a figura de um carro. Condenado a 12 anos e meio de prisão, ele não contou o que fez, só que cometeu uma “loucura” em 1995. Para ele, a passagem pelos programas
O artista visual Eliezer Nobre é o idealizador do projeto Libertarte, que atende detentos na Lemos de Brito e conta com um estande fixo de vendas num shopping da capital (Foto: Marina Silva/CORREIO)
de ressocialização é uma chance de aprender uma nova profissão e de ter melhores perspectivas de futuro. “Tô aprendendo alguma coisa aqui e, quando eu sair, vou melhorar as minhas condições. Isso (a oficina) ajuda o dia a passar mais rápido. Ficar encarcerado e sem atividade é muito ruim”, resume. O projeto, que já teve 15 internos e hoje só seis executam o trabalho, conta com um estande fixo de vendas em um grande shopping da capital. Mas ao longo do tempo, foram acabando as parcerias. “Precisamos de matéria-prima, de uma loja para escoar os produtos, de um site institucional, de mais ferramentas”, explica Eliezer. Diminuição da pena A participação no Libertarte é geralmente destinada a detentos mais velhos, já que as outras atividades, como capinagem e trabalho com esquadrias, exigem grande esforço físico. O trabalho na penitenciária ajuda na diminuição da pena - a cada três dias trabalhados, é abatido um dia. Nem todas as atividades são remuneradas - a Libertarte
Painel feito pelos presos enfeita a entrada da administração da Penitenciária Lemos de Brito
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
não é. Mas a fila para trabalhar é grande. Atualmente, dos 1.500 internos da Lemos Brito, 400 esperam abrir uma vaga para o trabalho, outros 500 estão em atividade, sendo que pouco mais de 300 são remunerados. “Essa remuneração é muito importante para eles. Mesmo estando aqui, eles podem prover a família”, disse o superintendente de ressocialização da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap), Luís Antônio Fonseca. Do total da remuneração (R$ 702,75), 75% ficam com a família do preso e os outros 25% são depositados em uma conta. O valor é liberado após a soltura do detento. Embora não haja estatísticas oficiais sobre a taxa de reincidência criminal dentro da Lemos Brito, Fonseca estima que 95% dos presos que trabalham dentro da cadeia não voltam a delinquir, enquanto que este índice seria de 30% a 35% para os que ficam no regime convencional. Além da oficina de arte, os presos também têm acesso à educação, com aulas de ensino básico e cursos profissionalizantes, mais atividades esportivas e culturais. “Esse homem que passa pela ressocialização se vê de outra forma e passa a ver o mundo de outra forma”, diz o superintendente da Seap. Para ele, essas atividades desenvolvidas durante o cárcere ajudam o preso a resgatar a autoestima e a se sentir integrado novamente à sociedade.Fonte:Correio 24 horas.

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